Matheus Tardivo

Code is poetry.

Improve It Fecha as Portas Para Consultorias Em Metodologias Ágeis

Uma notícia preocupante – pelo menos pra mim, que estava realmente acreditando no sucesso dessa empresa por causa dos trabalhos com desenvolvimento ágil. Mas que também serve para mostrar as inúmeras dificuldades que esse tipo de metodologia (ou filosofia de trabalho) enfrenta no nosso país. Ou não será só aqui?

Alguns pontos que eu gostaria de salientar: recentemente passei a estudar e defender as práticas de metodologias ágeis, principalmente o XP. Na equipe que trabalho, como todos também tem interesse em metodologias ágeis, decidimos aplicar práticas do XP no nosso dia-a-dia. Tentamos aplicar o que está ao nosso alcance: programação em par, refactoring, desenvolvimento guiados pelos testes, código coletivo, padrões de codificação, iterações e releases curtos, entre outras. Como a metodologia oficial adotada pela empresa não é XP (dizem que é RUP, mas na verdade é puro Waterfall) temos que procurar oportunidades para utilizar as práticas do XP, e posso dizer que estamos conseguindo. Ficamos satisfeitos (pelo menos eu estou) com os resultados que estamos obtendo com isso.

Mas, quando falamos de metodologias ágeis, existem alguns pontos críticos. Segue abaixo um trecho do texto publicado pelo Vinícius (desenvolvedor de software e fundador da Improve It) falando sobre isso:

“À medida que este ano termina, algumas coisas ficam claras para mim. Primeiro, é preciso admitir que comercialmente XP é muito ruim. Há uma resistência enorme ao seu uso, baseada nas mais diversas interpretações equivocadas. A maioria das pessoas não sabe o que é, mas pelo nome, é melhor nem saber mesmo. Com certeza não é coisa boa. Segundo, não tem certificação, o que é um pecado capital neste país. Terceiro, demanda das pessoas, das equipes, das empresas, um nível de atitude social e comportamental que parece ser avançado demais para o pensamento pequenino que reina nas empresas brasileiras, com raras exceções.”

Pra mim, tudo se resume neste texto: uma boa parte das pessoas que eu converso, mesmo sem realmente entender as propostas do XP, prontamente concluem que é algo ruim. Que não funciona. Quanto a isso, o que fica claro pra mim é que essas pessoas ou pensam que conhecem XP, ou apenas ouviram falar.

Recomendo que todos leiam a notícia na íntegra e tirem as suas conclusões. Fica claro que a atitude que a Improve It tomou não é baseada em problemas ou insucessos causados pelas metodologias ágeis, muito pelo contrário, pois isso deu condições à eles de tomarem esse novo rumo. Apenas mudaram o foco comercial de serviços para produtos – que, com certeza, continuaram a serem desenvolvidos utilizando metodologias ágeis.

Na notícia o Vinícius cita o caso de sucesso da 37signals: “Sem dúvidas esta empresa é, atualmente, nossa principal inspiração.” Pra que não conhece, David Heinemeier Hansson da 37signals é o criador do Ruby on Rails – e diversos outros produtos como o Basecamp.

Mas uma notícia como essa, principalmente com o conteúdo colocado, me deixa um pouco preocupado. Acredito não ser o único a ter essa preocupação pois vi mais pessoas acreditando no modelo de serviços que a Improve It vinha apostando. Segue um trecho de um post do Phillip Calçado num “Momento Mãe Diná 2008”:

“Vai ser o ano das consultorias pequenas. As ImproveIt, TriadWorks e Caelum da vida vão mostrar ao mercado brasileiro o que o internacional já sabe: times pequenos com foco em qualidade são melhores que enormes fábricas de software que simplesmente não conseguem entregar projetos”

Já conhecia a Improve It através dos artigos sobre XP, mas passei a ter admiração através do livro de XP do Vinícius – que virou uma fonte de referência para todos da equipe que trabalho, e pelo movimento para disseminar as técnicas ágeis no Brasil.

Boa sorte e sucesso para o pessoal da Improve It.

Aliás, vale a pena ler o artigo do Danilo Sato sobre essa notícia: Os Valores Ágeis não se Expressam em Palavras, mas em Ações.